Discurso sobre o Estilo
George-Louis L. de Buffon
Senhores,
Cumulastes-me de honra ao chamardes-me para o meio de vós; mas a
glória só é um bem enquanto dela se é digno, e não me convenço de
que alguns ensaios escritos sem arte e sem outro ornamento a não ser o
da natureza sejam títulos suficientes para me atrever a tomar lugar entre
os mestres da arte, entre os homens eminentes que representam aqui o
esplendor literário da França, e cujos nomes, celebrados hoje pela voz
das nações, retumbarão ainda com brilho na boca dos nossos últimos
vindouros. Outros motivos tivestes, Senhores, ao lançar os olhos sobre
mim; quisestes dar à ilustre companhia a que desde há muito tenho a
honra de pertencer um novo sinal de consideração: o meu reconhecimento,
embora dividido, não será menos vivo. Mas como satisfazer o
dever que ele impõe, neste dia? Tão-só tenho para vos oferecer, Senhores,
o vosso bem próprio: algumas ideias sobre o estilo, que respiguei
nas vossas obras; foi ao ler-vos, foi ao admirar-vos, que elas foram concebidas;
submetendo-as às vossas luzes, elas hão-de surgir com algum
sucesso.
Em todas as épocas houve homens que souberam ordenar aos outros
pelo poder da palavra. Todavia, foi só nos séculos ilustrados que bem
Pronunciado na Academia Francesa por M. de Buffon no dia da sua recepção, a
25 de Agosto 1753.
se escreveu e bem se falou. A verdadeira eloquência pressupõe o exercício
do génio e a cultura do espírito. Ela é muito diferente da natural
facilidade de falar, que não passa de um talento, de uma qualidade concedida
a todos aqueles cujas paixões são fortes, cujos órgãos são lestos
e a imaginação pronta. Tais homens sentem vivamente, comovem-se
até, e assim o assinalam no exterior; e por uma impressão puramente
mecânica transmitem aos outros o seu entusiasmo e os seus afectos. É o
corpo que fala ao corpo; todos os movimentos, todos os sinais concorrem
e igualmente coadjuvam. Que é necessário para excitar e arrastar
a multidão? Que é necessário para abalar até a maior parte dos outros
homens e os persuadir? Um tom veemente e patético, gestos expressivos
e frequentes, palavras impetuosas e sonantes. Mas para o pequeno
número daqueles cuja cabeça é consistente, delicado o gosto e apurado
o sentido, e que, como vós, Senhores, não dão grande valor ao tom, aos
gestos e ao som fútil das palavras, requerem-se coisas, pensamentos,
razões; é necessário saber apresentá-los, matizá-los, ordená-los; não
basta impressionar o ouvido e ocupar os olhos; importa, quando se fala
ao espírito, agir sobre a alma e tocar o coração.
O estilo é apenas a ordem e o movimento que se instaura nos seus
pensamentos. Se eles forem encadeados de modo apropriado, se forem
ajustados, o estilo torna-se robusto, nervoso e conciso; se eles se sucederem
de forma lenta e se juntarem apenas por meio das palavras, por
elegantes que sejam, o estilo será difuso, desligado e moroso.
Mas, antes de buscar a ordem em que se hão-de apresentar os seus
pensamentos, é necessário erigir uma outra mais geral e mais sólida,
onde devem ingressar unicamente as primeiras noções e as principais
ideias: ao assinalar o seu lugar neste primeiro plano é que um tema
será circunscrito e se conhecerá o seu alcance; ao rememorar incessantemente
estes primeiros esboços é que se determinarão os justos
intervalos que separam as ideias principais, é que germinarão ideias
acessórias e intermédias que hão-de servir para os colmatar. Pela força
do génio, representar-se-ão todas as ideias gerais e particulares sob o
seu verdadeiro ponto de vista; graças a uma grande acuidade de dis-
cernimento, distinguir-se-ão os pensamentos estéreis dos pensamentos
fecundos; devido à sagacidade facultada pelo grande hábito de escrever,
reconhecer-se-á de antemão qual será o produto de todas estas operações
do espírito. Mesmo que o tema não seja vasto ou complicado, é
muito raro que ele se possa abarcar com um simples relance de olhos
ou nele entrar em cheio com um só e primeiro esforço de génio; e mais
raro é ainda que, após muitas reflexões, se captem todas as suas relações.
Não é, pois, possível ocupar-se dele em demasia; é até o único
meio de corroborar, de estender e elevar os seus pensamentos: quanto
mais substância e força se lhes der pela meditação, tanto mais fácil será,
depois, realizá-los pela expressão.
Este plano não é ainda o estilo, mas é a sua base; sustenta-o, dirigeo,
ordena o seu movimento e submete-o a leis; sem isso, transvia-se o
melhor escritor, move-se sem guia a sua pena e lança ao acaso traços
irregulares e figuras discordantes. Por brilhantes que sejam as cores
que ele emprega, sejam quais forem as belezas que semeia nos pormenores,
como o conjunto desagradará ou não se fará sentir, a obra não
será construída e, ao admirar-se o espírito do autor, poderá suspeitarse
de que ele carece de génio. É por esta razão que os que escrevem
como falam, embora falem muito bem, escrevem mal; que os que se
abandonam ao primeiro fogo da sua imaginação tomam um tom que
não conseguem suster; que os que receiam perder pensamentos isolados,
fugidios, e que escrevem em ocasiões diferentes fragmentos soltos,
nunca os reúnem sem transições forçadas; que, numa palavra, há tantas
obras feitas de pedaços de ligação, e tão poucas que sejam fundidas de
um só jacto
No entanto, todo o tema é uno; e, por vasto que seja, pode encerrarse
num só discurso. As interrupções, as pausas, os segmentos não deveriam
utilizar-se a não ser quando se abordam temas diferentes, ou
quando, sendo necessário falar de coisas grandes, espinhosas e díspares,
a marcha do génio se vê interrompida pela multiplicidade dos obstáculos
e constrangida pela necessidade das circunstâncias: de outra
maneira, o grande número de divisões, longe de tornar uma obra mais
sólida, destrói a sua juntura; o livro aparece mais claro aos olhos, mas
o desígnio do autor permanece obscuro; não pode causar impressão no
espírito do leitor, nem sequer consegue fazer-se sentir a não ser pela
continuidade do fio, pela dependência harmónica das ideias, por um
desenvolvimento sucessivo, uma gradação sustentada, um movimento
uniforme que toda a interrupção destrói ou faz esmorecer.
Porque são tão perfeitas as obras da natureza? É que cada obra é
um todo, actua segundo um plano eterno do qual ela nunca se desvia;
prepara em silêncio os germes das suas produções; esboça por um acto
único a forma primitiva de todo o ser vivo; desenvolve-a, aperfeiçoaa
por um movimento contínuo e num tempo prescrito. A obra causa
assombro; mas a marca divina, cujos traços ela traz consigo, é que
nos deve impressionar. O espírito humano nada pode criar; só produzirá
após ter sido fecundado pela experiência e pela meditação; os seus
conhecimentos são os germes das suas produções: mas se imitar a natureza
na sua marcha e no seu labor, se pela contemplação se elevar às
verdades mais sublimes, se as reunir, se as encadear, se delas formar
um todo, um sistema pela reflexão, estabelecerá em alicerces inabaláveis
monumentos imortais.
É por ausência de plano, por não ter reflectido bastante sobre o seu
objecto que um homem de espírito se encontra embaraçado e não sabe
por onde começar a escrever. Apercebe-se, ao mesmo tempo, de um
grande número de ideias; e como não as comparou nem subordinou,
nada o determina a preferir umas às outras; permanece, portanto, na
perplexidade. Mas quando tiver feito um plano, quando tiver reunido
e ordenado todos os pensamentos essenciais ao seu tema, facilmente
se dará conta do instante em que deve pegar na pena, reconhecerá o
ponto de maturidade da produção do espírito, será forçado a fazê-la
desabrochar, sentirá apenas prazer em escrever: as ideias suceder-se-ão
com agilidade e o estilo será natural e fácil; o calor brotará deste prazer,
espalhar-se-á por toda a parte de e dará vida a cada expressão; tudo se
animará cada vez mais; o tom elevar-se-á, os objectos ganharão cor; e
o sentimento, aderindo à luz, aumentá-la-á, levá-la-á mais longe, fará
que ela passe do que se diz ao que se vai dizer, e o estilo tornar-se-á
interessante e luminoso.
Nada se opõe mais ao calor do que o desejo de pôr em toda a parte
traços salientes; nada é mais contrário à luz, que deve originar um corpo
e expandir-se uniformemente num escrito, do que estas centelhas que
se extraem só á força, fazendo embater as palavras umas nas outras, e
que nos deslumbram por alguns instantes apenas para, em seguida, nos
deixarem nas trevas. São pensamentos que cintilam apenas pelo contraste:
apresenta-se tão-só um lado do objecto, deixam-se na sombra
todas as outras faces; e habitualmente este lado que se escolhe é uma
ponta, um ângulo no qual se faz actuar o espírito com tanto maior facilidade
quanto mais nos afastamos das grandes vertentes sob as quais o
bom-senso costuma encarar as coisas.
Nada é ainda mais contrário à verdadeira eloquência do que o emprego
destes pensamentos refinados e a busca destas ideias ligeiras,
desligadas, sem consistência, e que, como a folha do metal batido, só
ganham fulgor ao perder a sua solidez. Por isso, quanto mais num escrito
se instilar algo deste espírito delicado e brilhante, tanto menos ele
terá nervo, luz, calor e estilo; a não ser que este espírito seja ele próprio
o fundo do tema, e que o escritor tenha apenas como objecto o gracejo:
então a arte de dizer pequenas coisas torna-se talvez mais difícil do que
a arte de dizer as grandes.
Nada há de mais antagónico ao belo natural do que o esforço que se
emprega para exprimir coisas ordinárias ou comuns de um modo singular
ou pomposo; nada degrada mais o escritor. Longe de o admirar,
lamenta-se que ele tenha passado tanto tempo a fazer novas combinações
de sílabas, para dizer tão-só o que toda a gente diz. Este é o
defeito dos espíritos cultivados, mas estéreis; têm palavras em abundância,
mas não ideias; trabalham, pois, com as palavras e imaginam
ter combinado ideias, porque arranjaram frases, e julgam ter depurado
a linguagem quando, na verdade, a corromperam, desviando as acepções.
Estes escritores não têm um estilo ou, se quisermos, têm apenas a sua sombra.
O estilo deve gravar pensamentos: eles sabem unicamente
rabiscar palavras.
Para bem escrever, importa, pois, dominar plenamente o seu tema,
é necessário reflectir bastante sobre ele para divisar com clareza a ordem
dos seus pensamentos e deles elaborar uma sequência, uma cadeia
contínua, em que cada ponto representa uma ideia; e quando se pegar
na pena, será necessário guiá-la ordenadamente acerca deste primeiro
traço, sem lhe permitir desviar-se, sem a apoiar de forma demasiado
incerta, sem lhe incutir outro movimento excepto o que há-de ser determinado
pelo espaço que ela deve percorrer. É nisso que consiste a
severidade do estilo; é também isso o que fará a sua unidade e regulará
a sua presteza, e só isso bastará também para o tornar preciso e simples,
igual e claro, vivo e contínuo. Se a esta primeira regra, ditada pelo génio,
juntarmos a delicadeza e o gosto, o escrúpulo sobre a escolha das
expressões, a atenção para nomear as coisas tão-só pelos termos mais
gerais, o estilo terá nobreza. Se lhe juntarmos ainda a desconfiança perante
o seu primeiro movimento, o desprezo por tudo o que é apenas
brilhante e uma repugnância constante pelo equívoco e pelo chiste, o
estilo terá gravidade, terá até majestade. Se, por fim, se escrever como
se pensa, se se estiver convencido do que se pretende insinuar, esta boa
fé consigo mesmo, que suscita o respeito pelos outros e a verdade do
estilo, levá-lo-á a produzir todo o seu efeito, contanto que esta persuasão
interior se não assinale por um entusiasmo demasiado forte, e que
tenha em toda a parte mais candura do que confiança, mais razão do
que ardor.
Era assim, Senhores, que me parecia, ao ler-vos, que vós me faláveis,
que me instruíeis. A minha alma, que recolhia com avidez estes
oráculos da sabedoria, queria levantar voo e elevar-se até vós; inúteis
esforços! As regras, dizíeis-me ainda, não podem suprir o génio; se
este faltar, elas serão inúteis. Escrever bem é, ao mesmo tempo, bem
pensar, bem sentir e bem reproduzir; é ter, ao mesmo tempo, o espírito,
alma e gosto. O estilo supõe a reunião e o exercício de todas as
faculdades intelectuais. As ideias, só por si, formam o fundo do estilo,
a harmonia das palavras é tão-só o acessório e depende apenas da
sensibilidade dos órgãos; basta ter um pouco de ouvido para evitar as
dissonâncias e tê-lo exercitado, aperfeiçoado pela leitura dos poetas e
dos oradores, para que mecanicamente se seja levado à imitação da cadência
poética e dos giros oratórios. Ora a imitação nunca criou nada:
por isso, a harmonia das palavras não constitui nem o fundo nem o
tom do estilo e encontra-se, muitas vezes, em escritos desprovidos de
ideias.
O tom é apenas o ajustamento do estilo à natureza do assunto, jamais
deve ser forçado; emanará espontaneamente do próprio fundo da
coisa e dependerá muito do ponto de generalidade a que se tiver conduzido
os seus pensamentos. Se alguém se tiver elevado às ideias mais
gerais, se o objecto for grande em si mesmo, o tom parecerá elevar-se
à mesma altura; e se, ao sustê-lo nesta elevação, o génio proporcionar
o suficiente para dar a cada objecto uma luz intensa, se for possível
acrescentar a beleza do colorido à energia de desenho, em suma, se
alguém conseguir representar cada ideia por uma imagem viva e bem
acabada e elaborar de cada sequência de ideias um quadro harmonioso
e animado, o tom não só será elevado, mas sublime.
Aqui, Senhores, a aplicação faria mais do que a regra; os exemplos
instruiriam melhor do que os preceitos; mas, como não me é permitido
citar os fragmentos sublimes que, tantas vezes, me transportaram, ao ler
as vossas obras, sou obrigado a restringir-me a reflexões. As obras bem
escritas serão as únicas que passarão à posteridade: A quantidade dos
conhecimentos, a singularidade dos factos, a própria novidade das descobertas
não são garantias seguras da imortalidade: se as obras que os
contêm versarem sobre objectos minúsculos, se estiverem escritas sem
gosto, sem nobreza e sem génio, perecerão, porque os conhecimentos,
os factos e as descobertas facilmente se arrebatam, se transportam e
lucram até com ser realizados por mãos mais hábeis. Tais coisas são
exteriores ao homem, o estilo é o próprio homem. O estilo não pode,
pois, nem arrebatar-se, nem transportar-se, nem alterar-se: se for elevado,
nobre, sublime, o autor será igualmente admirado em todos os
tempos; porque só a verdade é duradoura e, inclusive, eterna. Ora um
belo estilo só é tal, de facto, pelo número infinito das verdades que
expõe. Todas as belezas intelectuais que nele se encontram, todas as
relações de que ele é composto, são outras tantas verdades igualmente
úteis, e talvez mais preciosas para o espírito humano do que aquelas
que podem constituir o fundo do tema.
O sublime só pode encontrar-se nos grandes temas. A poesia, a
história e a filosofia têm, todas, o mesmo objecto e um objecto muito
grande, o homem e a natureza. A filosofia descreve e pinta a natureza; a
poesia pinta-a e embeleza-a: pinta igualmente os homens, engrandeceos,
exagera-os, cria os heróis e os deuses. A história pinta apenas o homem,
e pinta-o tal como é: por isso, o tom do historiador só se tornará
sublime quando fizer o retrato dos grandes homens, quando expuser as
acções maiores, os movimentos mais importantes, as revoluções mais
significativas; e, aliás em toda a parte, bastará que ele seja majestoso
e grave. O tom do filósofo poderá tornar-se sublime, sempre que falar
das leis de natureza, dos seres em geral, do espaço, da matéria, do
movimento e do tempo da alma, do espírito humano, dos sentimentos,
das paixões; quanto ao mais, bastará que ele seja nobre e elevado. Mas
o tom do orador e do poeta, contanto que o assunto seja grande, deve
sempre ser sublime, porque eles são os mestres que juntam à grandeza
do seu tema tanta cor, tanto movimento, tanta ilusão quanto lhes aprouver
e que, ao terem sempre de pintar e engrandecer os objectos, devem
igualmente, em toda a parte, aplicar toda a força e desdobrar toda a
amplitude do seu génio.
APELO AOS SENHORES DA
ACADEMIA FRANCESA
Que grandes objectos, Senhores, impressionam aqui os meus olhos!
E que estilo e que tom se deveria empregar para dignamente os pintar e
representar! A elite dos homens é a assembleia; a Sabedoria que está à
sua cabeça, a Glória, sentada no meio deles, difunde os seus raios sobre
cada um e cobre-os a todos com um brilho sempre idêntico e sempre
renascente. Traços de uma luz mais viva emanam ainda da sua coroa
imortal e vão concentrar-se na fronte augusta do mais poderoso e do
melhor dos reis. Vejo este herói, este príncipe adorável, este soberano
tão caro. Que nobreza em todos os seus traços! Que majestade em
toda a sua pessoa! Quanta alma e doçura natural nos seus olhares!
Ele volta-os para vós, Senhores, e brilhais com um novo fulgor, um
ardor mais vivo vos incandesce; oiço já os vossos divinos acentos e
os acordes das vossas vozes; juntai-los para celebrar as suas virtudes,
para cantar as suas vitórias, para aplaudir em vista da nossa ventura;
juntai-los para fazer brilhar o vosso zelo, expressar o vosso afecto e
transmitir à posteridade sentimentos dignos deste grande príncipe e dos
seus descendentes. Que concertos! Entram bem fundo no meu coração;
serão imortais como o nome de Luís.
Ao longe, que outro proscénio de grandes objectos! O Génio da
França, que fala a Richelieu e lhe dita, ao mesmo tempo, a arte de ilustrar
os homens e de fazer reinar os reis; a Justiça e a Ciência, que guiam
Séguier e o elevam conjuntamente ao primeiro lugar dos seus tribunais;
a Vitória, que avança a passos largos e precede o carro triunfal dos nossos
reis, onde LUÍS O GRANDE, sentado em troféus, com uma mão
concede a paz às nações vencidas e, com a outra, reúne neste palácio
as Musas dispersas. E junto de mim, Senhores, que outro objecto interessante!
A Religião em pranto, que vem buscar o órgão da Eloquência
para exprimir a sua dor, e que parece acusar-me de suspender, durante
demasiado tempo, os vossos lamentos sobre uma perda que todos, com
ela, devemos sentir.
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